Como desisti de marcar a bebelança na tal casa, ficamos na espera da resposta sobre o e mail que a aniversariante tinha mandado. Dois dias pra vir a resposta. E o tempo passando, você já não sabe se vai dar tempo de mudar os planos. Eis que chega a resposta. Os caras queriam o nome de todos da lista, em ordem alfabética, nome e sobrenome, telefone, RG, CPF, número do Pis/Pasep, tipo sanguíneo, hobby, profissão, gosto musical, cor dos olhos e altura. Em duas vias carbonadas, carimbadas, conferidas, protocoladas, encaretadas, de paletó e gravata. Peraí, caraca, estávamos procurando um lugar pra nos divertirmos e não mais trabalho. Se eu quisesse fazer relatórios, trazia trampo pra casa. Se eu quisesse organizar todas as informações que eles pediram, ia trabalhar no IBGE. E do Mato Grosso pra cima, porque fazer censo em metrópole deve ser mais fácil que fazer a tal da lista. A balada ainda vai rolar. Sexta feira tem mais matéria pro blog, certeza. Porque vai ter aquele tipo de papagaiada que você nunca lembra pra informar pros convidados. Se chegar até as 22h paga tanto, se sair depois de não sei que horas também paga, se for de preto e o Sarney tiver morrido ganha desconto, se chover e você chegar ensopado paga dobrado e se você não comparecer, o teu boleto com cobrança de entrada chega pelo correio. Só entram digrátis o aniversariante e quem arrematou a gravata de brilhantes do leilão do Clodovil. Mas tem que ir com ela.
Estacionamento é outra novela. Comemora-se o fato de achar um que cobre 20 reais. O tal do vallet, aquele que deixa o teu carro na rua, é a manobra mais cara do mundo. Acho que nem aqueles caras que aparecem fazendo acrobacia no Esporte Espetacular cobram tão caro pra fazer umas manobras. Os caras cobram uma bala pra chupar todas as que você tem no carro. Hahahahaha. E tem a chapelaria, que é o lugar de "tomar chapéu", não só de guardar bolsas. Paga-se pra por as coisas numa estantezinha. A gente paga pra guardar coisas que poderíamos ter deixado no carro e muitas vezes não deixamos por causa do receio do manobrista mexer e por estarmos cervejados na volta, não percebermos. Diz que tem gente levando até o estepe pra dentro da balada...rs. Pra beber, afinal ninguém é de ferro ( porque se fosse a gente enferrujava a goela de tanto líquido), cerveja "long néti", como dizem uns e outros, a 8 paus. Uma fila desgramada no bar. Eita sede, eita bolso cheio! Mas você pode começar a beber na fila ( aquela gigante em que ficam te segurando e quando você entra, ainda não tem ninguém no bar) que é mais barato. 6 reais a lata. Você calibra ali fora, achando que lá dentro é só fazer a manutenção. Ledo engano, meus queridos. O lugar vai bombar depois e o calor vai te dar mais sede. Não que a gente beba desenfreadamente mas o calor, ah, o calor...Eita sede, eita bolso vazio!
E na hora de pagar? Aquelas meninas bacanas, todas bem humoradas, passando o teu cartão com má vontade e mascando um chicletinho. Outra demora. Creio cada vez mais que a gente não paga a conta, paga pra sair logo dali. E enquanto tudo isso rola, o Sarney ainda tá aí, vivo, pessoal! - como diria o Macaco Simão.
Bêbado, você ainda vai conferir os cd's, o estepe e a quilometragem. Reza pra não ser parado na blitz da Lei Seca, toma um Engov e vai embora. E pensar que depois de tudo isso, nem esperamos outro aniversário pra fazer tudo de novo. Voltamos por livre e espontânea vontade, já na outra semana.
E tudo isso porque puseram na nossa cabeça que nunca fizemos amigos bebendo leite. A gente não acredita. Mas que é verdade é.